6 de março de 2012

VIA SACRA OU VIA CRUCIS

Via Sacra com as crianças da IAMG

        A palavra Via Sacra  vem do Latim,e quer dizer, Caminho Sagrado.

   A via-sacra é um ato litúrgico celebrado pela Igreja Católica para relembrar a paixão e morte de Cristo. 
    Já no séc. IV, os romeiros visitavam em Jerusalém, os lugares onde aconteceram a Paixão e Morte de Jesus, viagens que começaram em 313, quando o imperador Constantino converteu-se ao Cristianismo
   Depois disso os cristãos pararam de serem perseguidos pelo Império Romano, e os fiéis puderam, enfim, visitar a cidade sagrada para celebrar a memória de Cristo.  Este costume transformou-se no exercício da via-sacra praticado hoje, especialmente na Quaresma.

  Desde o séc. XVIII são contadas 14 estações desde a casa do julgamento até o santo sepulcro. Esta tradição foi retomada no séc. XII pelos franciscanos em Jerusalém, e  difundida por toda a Europa principalmente pelo franciscano São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751).
     Este santo frade impunha-a muitas vezes como penitência sacramental e erigia as suas estações em todas as missões que pregava. Ao final de sua vida contam-se, apensa na Itália, 571 povoados nos quais S. Leonardo estabeleceu a Via Crucis.
   Mesmo em Roma deve-se a este santo a popularidade deste pio exercício. Se hoje o Santo Padre, o Papa, na noite da Sexta-feira Santa, percorre a Via-Sacra no Coliseu é porque São Leonardo, no Ano Santo de 1750,  conseguiu que  o papa Bento XIV lhe permitisse  erigira Via Crucis ali. para quem não podia ir até a Terra Santa, os mesmos franciscanos divulgaram as estações da Via Crucis substituída por quadros pintados. 

A descrição do martírio de Cristo por meio de imagens surgiu durante a Idade Média, quando a catequese se dirigia, em grande parte, a analfabetos. Para que os fiéis que não sabiam ler compreendessem a plenitude de significados da vida do messias, a Igreja decidiu apresentá-la de forma visual para que os analfabetos compreendessem o significado do martírio de Jesus em que foi condenado por Pilatos até o calvário.

     Existem variações para a realização do ritual. Em algumas paróquias, em vez de os fiéis contemplarem imagens, eles assistem a encenações, como num teatro, que dão vida aos eventos.

     Mas Seja como for, o objetivo é um só:

" Valorizar as ações de Cristo e reconhecer a presença de Deus mesmo na dor e no sofrimento."

    Os quadros ou estações, como são chamados contam a trajetória de Jesus, Aparecem em seqüência: a condenação, Jesus carregando a cruz, o encontro com Maria, a ajuda que recebeu de Simão Cirineu, as três vezes em que caiu, o consolo às mulheres de Israel, a ocasião em que Verônica enxugou seu rosto, o momento em que foi despido, sua crucificação, morte, a descida da cruz e, por fim, seu sepultamento.

   A Via Sacra também é chamada de Via Crucis que do latim significa"Caminho da Cruz". É o trajeto seguido por Jesus Cristo carregando a cruz que vai do Pretório até o Calvário.


AS ESTAÇÕES DA VIA SACRA

Via sacra
  1. Estação: Jesus é condenado a morte.
  2. Estação:Jesus carrega a cruz.
  3. Estação: Jesus cai pela primeira vez.
  4. Estação: Jesus encontra a sua Mãe.
  5. Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus.
  6. Estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus.
  7. Estação: Jesus cai pela segunda vez.
  8. Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém.
  9. Estação: Jesus cai pela terceira vez.
  10. Estação: Jesus é despojado de suas vestes.
  11. Estação: Jesus é pregado na cruz.
  12. Estação: Jesus morre na cruz.
  13. Estação: Jesus morto nos braços de sua mãe.
  14. Estação: Jesus é enterrado.
  15. Estação: Jesus Ressucita triunfante.

ALGUMAS ORIENTAÇÕES DA IGREJA


·                             O pio exercício da Via-Sacra é uma devoção aprovada oficialmente pela Igreja, recomendada aos fiéis e enriquecida com indulgência plenária. Para isto, e para que ela produza adequados frutos espirituais, a Igreja nos oferece algumas instruções:
  •   Via-Sacra deve conter 14, que podem ser acompanhadas ou não de imagens/quadros que recordem as cenas do caminho da Paixão (cf. Ritual de Bênçãos, Cap. XXXIV, n. 1098; cf. CNBB, Manual das indulgências, “Via-Sacra”).

  • ·  As meditações de cada estação não precisam ser as tradicionais, mas podem-se utilizar outros textos aprovados, desde que digam respeito a episódios evangélicos da Paixão do Senhor (deve-se recordar que algumas estações provêm da Tradição, não sendo narradas nos Evangelhos, como, por exemplo, a cena de Verônica; cf. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Diretório sobre piedade popular e liturgia, n. 134);

  • ·  O movimento (caminhar), seja de todos os devotos, , é imprescindível para que o sentido espiritual da Via-Sacra seja experimentado. “Um desenvolvimento sábio da Via-Sacra, em que palavra, silêncio, canto, caminhar e parada reflexiva se alternem de modo equilibrado, contribui para a consecução de frutos espirituais dessa prática de piedade.” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Diretório sobre piedade popular e liturgia, n. 135).

     Em algumas Dioceses o exemplo durante a Via-Sacra na manhã de Sexta-feira chama a atenção de muitos. Fazendo o piedoso exercício com os pés descalços.
       A origem remota é a celebração da Sexta-feira da Paixão do Senhor em Roma. O imperador Constantino, após a descoberta dos restos da Cruz de Cristo por Santa Helena, sua mãe, transformou o palácio em que ela residia em igreja. Onde hoje é a atual Basílica de Santa Cruz em Jerusalém, em Roma. Durante séculos foi nela que o papa celebrou a liturgia da Paixão. Para essa celebração, na qual as relíquias da Santa Cruz eram veneradas, o papa dirigia-se em procissão, acompanhado dos cardeais e demais membros do clero romano, com os pés descalços.
      Este costume foi estendido para todo o rito romano. Até a publicação do Missal de Paulo VI (1969), todos os presbíteros e bispos (e, por costume, também os diáconos e subdiáconos) faziam a veneração da Cruz descalços. Hoje esse gesto ainda é previsto pelo Cerimonial dos Bispos (n. 322):  o bispo, retirando a casula e, se considerar oportuno, os sapatos, aproxima-se por primeiro para a veneração da cruz. É uma cena profundamente marcante ver um bispo ou o papa retirar os paramentos e os calçados, para com toda humildade adorar no madeiro quem despojou-se de sua glória para nos salvar. 
    Com o passar do tempo surgiu  a Campanha da Fraternidade, e com ela surgiram novas formas da via-sacra que mostram a paixão, morte e ressurreição de Jesus, misturados ao sofrimento do povo brasileiro.
    Que nesta Santa Quaresma ao participarmos da Via-Sacra em nossas comunidades, estejamos imbuídos do espírito de doação e entrega de Cristo, do desejo de segui-lo até as últimas consequências, do arrependimento sincero de nossos pecados que fizeram pesar a cruz de nosso Senhor e, também, de solidariedade com os sofredores de nosso tempo. 
(FONTE: Google)